sábado, outubro 09, 2004

Auditoria Internacional I - Entrevista à RTP

Na passada 5 feira, 7-10-2004, foi apresentado o relatório da auditoria realizada ao Sistema Estatístico Nacional por peritos Canadianos.

Para espanto geral, a entrevista dada pelo Presidente do INE ao canal público de Televisão, apenas é referida a questão da transformação das Direcções Regionais em Delegações (sem competências) e de uma forma algo curiosa:

"As pessoas vão ter que fazer coisas diferentes daquilo que faziam antes, naturalmente porque há uma alteração das funções. Mas, o que vamos tentar, vamos tentar encontrar, já estamos a tentar enc..., já estamos a encontrar, tarefas diferentes para as pessoas que estavam nas regiões e encontar tarefas novas e propor às pessoas, novas tarefas diferentes daquelas que faziam anteriormente e eu espero que seja possível propor tarefas que as pessoas possam aceitar em... nas diferentes regiões."
(clicando no texto acima acede às imagens do Telejornal da RTP)

da auditoria... apenas estas palavras! Apenas o assunto das Direcções Regionais (transformadas em Delegações Regionais desde o dia 1 de Novembro)!

obsessão?

... ou este assunto é incomodo,

encomendado

e compreende-se:

a) justifica-se a falta da coordenação interna de todos os projectos coordenados centralmente com os meros 3 projectos coordenados fora dos Serviços Centrais fazendo transparecer para a opinião pública que as Regiões é que coordenavam os projectos do INE e daí a sua desorganização... e a necessidade de retirar as competências às DR's

b) esses 3 projectos além de constituirem boas práticas, consumiam pouquíssimos recursos (10 a 15 pessoas) e tratavam-se das áreas do Turismo (DR Algarve), das Estatísticas Urbanas (DR Centro) e da Habitação(DR Norte).
Não foram retirados ao "centro" porque não existiam centralmente e não haviam recursos disponíveis, pelo que se optou pelas DR's onde houvesse saberes internos e parceiros externos com experiência nessas matérias.

Basta interrogar os principais utilizadores da informação estatística destas 3 áreas para claramente se verificar o excelente trabalho realizado.

c) mesmo orçamentalmente, a execução da recolha dos projectos nacionais nas regiões representavam 80 a 85% do orçamento de cada DR. Estes custos continuarão a existir uma vez que se vão manter os projectos agora centralizados ou deslocalizados (com a chamada especialização temática - em cada região existirá uma especialização numa determinada área e assegurar-se-á aí a recolha de todo o País)


daqui se denota o total desconhecimento do trabalho das DR's quer por parte da Direcção do INE (em 1 ano e meio de mandato visitou-as apenas 1 vez e como visita de cortesia) quer pelos auditores que não se deslocaram ou reuniram com ninguém das DR's localizadas fora de Lisboa.

d) os 15-20% do orçamento das DR's com serviço público (biblioteca, atendimento e satisfação de pedidos) e com apoio aos actores locais (protocolos com àreas metropolitanas, câmaras, entidades regionais e transfronteiriças) não justificam por si só a sua existência?


.... ou será que é para esconder as boas práticas e manter o despesismo e a ineficiência centralista?


...ou seriam as ligações da demitida anterior Direcção ( contra todas as directivas internacionais)às Direcções Regionais?

Não se percebe tamanha obsessão... ou incómodo...



Não são os próprios canadianos que dizem que este presidente não tem legitimidade?


Ah! A auditoria internacional é ao Sistema Estatístico Nacional e não ao INE. O tratamento das recomendações aí contidas e as ineficiências relatadas devem ser devidamente enquadradas, separando o INE do SEN, e nunca colocando em causa o profissionalismo e a competência técnica dos funcionários do INE.