segunda-feira, junho 07, 2004

Auditoria Internacional: INPUT PRECISA-SE!

Hoje, dia 7 de Junho, O Jornal Público (suplemento Economia) publica uma extensa entrevista aos consultores canadianos contratados pelo INE.
Deixo de lado os risos, por não lhe reconhecer propósito, e os erros de sintaxe, por inadmissíveis num jornal desta categoria, apenas comento 3 das respostas daqueles eminentes estaticistas que interpreto como provocatórias para a Direcção do INE e para o próprio Governo.

1. “Dêem-nos as prioridades e daremos as respostas”
Será possível que estes dois ilustres estaticistas (Fellegi e Ryten) tenham começado a desenvolver o seu trabalho de consultoria ao Sistema Estatístico Nacional (já entrevistaram o Governador do Banco de Portugal, Ministros das Finanças, conselheiros do Conselho Superior de Estatística, etc), sem terem quaisquer inputs do Governo?, sem lhes terem sido traçados objectivos ou estabelecido prioridades?

2. “Terei de ser convencido que as Delegações Regionais são necessárias”
Esta afirmação reveladora é de Fellegi!
Como medida de urgência, sugeria ao Presidente do INE que fornecesse a estes senhores o trabalho encomendado pelo INE ao Professor Doutor João Ferrão (2002), onde tão bem descreve o Portugal sonolento, o Portugal tranquilo e o Portugal alta pressão.
A prazo, tenho esperança que a recém empossada Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional lhes faça chegar a documentação necessária.

3. “Actualmente, não posso dizer se (na Hungria) já o fizeram (redução do número de serviços regionais, de 19 para 6)”
É normal que, depois de terem proposto a reforma do Sistema Estatístico da Hungria, os Senhores Fellegi e Ryten não saibam se as suas orientações estão a ser seguidas ou se as puseram na gaveta? A Direcção do INE já exigiu saber qual o resultado desse estudo?


De acordo com a opinião de estaticistas nacionais, Fellegi e Ryten são dois estaticistas de renome mundial, com um trabalho notável no Instituto de Estatística Canadiano. Seria indesculpável que, por deficiente enquadramento, não pudéssemos aproveitar dos seus ensinamentos.

6 Comentários:

At 8 de junho de 2004 às 09:32, Blogger manoelinho de evora Comentou...

Será que pensam que a opinião publica anda a dormir?
primeiro é nos jornais que é posto a circular as grandes "bombas" sobre o fecho das Direcções Regionais, que nunca foram assumidas publicamente mas também nunca foram desmentidas. Por outro lado é no dia em que reuniam em plenário os trabalhadores (foram mais de 400) é que é publicada uma garantia do presidente do INE que as direcções não iriam fechar (passariam a polos, meras "caixas de correio", com o minimo de funcionários, apenas para "salvar a face" de que não fechariam), mas se assim é porque tal nunca foi assumido desde o principio? ou o que andaram a fazer o serviço do INE responsavel pelos edificios mais os homens do Património que visitaram e fotografaram os edificios das regiões, não será para vender?
Agora, é dada uma entrevista pelos consultores canadianos, em que se afirma que pelo menos um terá de ser convencido da necessidade das Direcções regionais.
os consultores afirmam que ainda não têm o assunto estudado e que até pode ser que cheguem à conclusão (em setembro) de que até a melhor solução é a continuação das Direcções regionais, já a essa conclusão tinha chegado a IGAP na sua auditoria, lembram-se?
Nessa mesma entrevista parecem,os consultores, estarem ainda muito indecisos ou será que não estão e apenas querem mandar poeira para os nossos olhos?
Se estão indecisos é agora que todos os interessados em que o INE funcione melhor e mantenha a sua proximidade com o país real, se manifestem e defendam as Direcções Regionais, pois é através delas que têm obtido o acesso à estatistica regional, tão necessária aos decisores regionais.
Se possivel façam como a IGAP( que viu inloco como funcionam as Regionais, coisa que a Roland Berger e os canadianos não fizeram, se o tivessem feito teriam de certeza outra opinião) e defendam o reforço das suas competencias.

 
At 8 de junho de 2004 às 12:18, Anonymous Anónimo Comentou...

Por este andar estes senhores ainda acabam mesmo com as direcções regionais existentes e criam uma Direcção Regional da Estatística do Canadá em Portugal!
Aliás já começaram a trabalhar nesse sentido. O Presidente do INE já anunciou publicamente que a formação passará para o novo Centro de Decisão da Actividade Estatística em Portugal, no lado de lá do Atlântico, no Canadá.
Teremos um dia a sede do INE-P no Canadá?

 
At 8 de junho de 2004 às 14:53, Anonymous Anónimo Comentou...

QUAL O BENEFICIO DUM DESEMPREGADO?NENHUM! É SÓ PREJUIZO AO PAÍS. ELE É SUBSIDIO DE (LONGA DURAÇÃO)DESEMPREGO ELE REMEDIO PARA DEPRESSÃO... UM EMPREGADO DÁ RIQUEZA AO PAÍS E PAGA IMPOSTOS. ENTÃO PORQUE É QUE ALGUEM QUER POR NO DESEMPREGO MAIS DE 200 PORTUGUESES? SERÁ QUE AS DIRECÇÕES REGIONAIS DO INE SÃO ASSIM TÃO INCOMODAS PARA O ESTABLISHMENT? NO TEMPO DO ESTADO NOVO É QUE QUANDO ALGUÉM SE TORNAVA INCOMODO É QUE ERA SILENCIADO, HOJE É INADMISSIVEL QUE TAL ACONTEÇA, SEJA COM QUE PRETEXTO FOR. JÁ AGORA FECHEM AS REPARTIÇÕES DE FINANÇAS E OUTRAS DIRECÇÕES DE OUTROS MINISTÉRIOS. NÃO SOU SÓ EU QUE PENSO ASSIM, O PROF. CAVACO SILVA EM TEMPOS JÁ TINHA DITO ALGO SIMILAR, LEMBRAM-SE?...O MELHOR É DEIXAR UM FUNCIONÁRIO TRABALHAR POIS PAGA IMPOSTOS E FAZ DESCONTOS PARA A SEGURANÇA SOCIAL...

 
At 8 de junho de 2004 às 14:56, Anonymous Anónimo Comentou...

COMO SE EXPLICA ESTA INCOERENCIA? COMO E QUE VAMOS DAR CREDIBILIDADE A UMA AUDITORIA QUE E FEITA POR UMA EQUIPA ESTRANGEIRA QUE NAO CONHECE A NOSSA REALIDADE? QUANDO E QUE DEIXAMOS DE ACREDITAR QUE O QUE VEM DE FORA E BOM E CREDIVEL? NAO TEMOS VIVIDO E SERVIDO ATE AGORA COM AS ESTATISTICAS DO INE? NAO TEM O EUROSTAT USADO ESSAS MESMAS ESTATISTICAS? PORQUE O ENCERRAMENTO?

 
At 8 de junho de 2004 às 15:12, Anonymous Anónimo Comentou...

Ainda bem que saiu este artigo,estão mais que claras as intenções algo dubias existentes sobre a verdadeira reestruturação. As Direcções Regionais fazem falta nas regiões, pois têm levado o INE para próximo do país real, tornando-se parceiros indispensáveis para as entidades regionais.
A média de idades, a formação dos trabalhadores, a polivalência e o dinamismo é francamente favorável para as Direcções Regionais, assim não se percebe o porque desta opção..., que ao que tudo indica poderá colocar no desemprego muitos trabalhadores sobretudo na provincia onde as hipóteses de emprego são limitadas, ou causar-lhes graves transtornos.
Será que o INE não tem meios de concentrar a coordenação de projectos e manter os seus colaboradores nas regiões, onde faz falta a existência do INE? Vale a pena que o país reflicta e veja se não é melhor reforçar as ligações entre INE e as suas Direcções Regionais tal como se fala no relatório da IGAP e não só, pois parece que os consultores canadianos poderão a vir a admitir, segundo a entrevista que veio a lume.
Quero aproveitar para cumprimentar todos os trabalhadores do INE que merecem toda a nossa simpatia pelo o que estão a passar.
Força Direcções Regionais o país precisa de vocês!!

 
At 21 de junho de 2004 às 12:03, Anonymous Anónimo Comentou...

A extinção anunciada das Direcções regionais do INE é o prenúncio da visão estratégica (?) miserabilista deste governo sobre a descentralização da administração pública. Estou em crer que o desmembramento dos serviços estatais, úteis como são os do INE nas regiões-plano, vai na senda puramente liberal de reduzir os custos, eliminar "forças de bloqueio" (?) à manipulação dos números e entregar a recolha tratamento e difusão de dados, a tarefeiros porventura estrangeiros, sediados no Canadá, país respeitável, ou noutro qualquer (aproveito para sugerir ao Morais Sarmento que a Índia tem uma classe científica muito competitiva e barata, mais barata do que a canadiana)... e os profissionais portugueses a engrossar o rol de desempregados... Em síntese, confirma-se uma vez mais os dois objectivos do governo, neste tipo de gestão as políticas públicas: reduzir custos directos do Estado (déficitphobia) e colocar em risco de solvabilidade o sistema de segurança social,objectivos louvaveis para os liberais do governo que depois (aliás já hoje) remetem para os bancos e seguradoras, de preferência o BES e BCP, de onde provêm muitos dos sinaleiros orientadores do governo Durão-Portas.
Será que merceremos esta descida aos infernos ? E quanto custará ao erário, a reposição do sistema depois destes senhores sairem ? A estratégia subjacente à governação vigente é de facto o desmembramento, palavra mestre de uma arquitectura demente.
Um alto-minhoto que não baixa os braços. Obrigado pelo blog.A luta tem de continuar, pois só assim se consegue melhorar o país.

 

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