sexta-feira, junho 18, 2004

"INE do futuro e do qual o país precisa e se orgulhará"

Já não bastava o dia negro em termos de instrumentalização ilícita pelo governo da informação produzida pelo INE, muito bem descrito no blog ADUFE, a comunicação social de hoje confirma:

"Quem acredita no INE com OECD e Eurostat?"
Título in Jornal de Negócios, 18-06-2004

"...Ninguém leva muito a sério os números provisórios divulgados pelo INE na véspera das eleições, até porque o Instituto Nacional de Estatística, antes cheio de prestígio é, agora, dominado pela Presidência do Conselho de Ministros, o que diminui a credibilidade aos números divulgados...."
in "PSD está zangado com Barroso", Semanário, 18-06-2004

Esperemos que o INE consiga sobreviver a esta tutela (Ministro da Presidência, Morais Sarmento) e a esta Direcção.
Os trabalhadores do INE não podem ver a sua competência técnica, dedicação e profissionalismo serem colocados em causa por quem desconhece ou não quer conhecer todo um trabalho de anos na credibilização da actividade estatística oficial em Portugal.


Relembrando:

- Está a fazer 1 ano que a direcção do INE foi destituída, a meio do mandato (facto inédito em INE's de Países civilizados), e empossada a actual;

- Durante o ano anterior, contrariando os seus estatutos, não se realizaram as reuniões do Conselho Superior de Estatística (CSE);

- Antes da realização da 1ª reunião do CSE em 2004, o ministro Morais Sarmento procede à substituição de diversos vogais e acresce com a nomeação adicional de um seu assessor (para garantir a aceitação da reestruturação?);

- Edição da publicação estatística oficial do INE "30 anos de 25 de Abril: Um retrato estatístico", com fotografia e introdução do Primeiro Ministro (Inédito! Uma abordagem mais detalhada no ADUFE!)

- e a 4 dias das eleições europeias o já referido "dia negro em termos de instrumentalização ilícita pelo governo da informação produzida pelo INE, a que acedeu de forma privilegiada e sobre a qual estava comprometido manter reserva até à sua aprovação em Conselho Superior de Estatística e respectiva divulgação pública "
... e estes são só alguns exemplos do que se tem vindo a passar!...



Destruir todo um trabalho de credibilização realizado ao longo dos anos, faz-se rapidamente como se constata, voltar a credibilizar e construir o edifício das Estatísticas Oficiais Portuguesas vai voltar a demorar décadas...


...É verdade, afinal as Direcções Regionais é que são o exemplo de ineficácia e de ineficiência, e provavelmente as causadoras do descrédito e perda de prestígio do INE. Esta tutela e esta Direcção são os salvadores da Pátria!!!

quarta-feira, junho 09, 2004

INE confirma o fim da recessão! E esta hem?...

A 4 dias das eleições europeias, somos surpreendidos pela nova função do INE de confirmar o fim da recessão!!!!!
Conforme as palavras do seu presidente Prof. José Mata "vou transformar o INE num Instituto de referência e de excelência..." e "Este é o INE que eu vejo como o INE do futuro e do qual o país precisa e se orgulhará"
já estamos a ficar esclarecidos....

Claro que a comunicação social, sabe-se lá porquê, esta semana só apresenta números favoráveis e até antes deles serem publicados pelo INE, a saber:

...Revista Prémio:

"INE confirma o fim da recessão
O INE anunciou hoje o fim da recessão ao revelar que a economia cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2004. Em termos homólogo o crescimento foi de 0,1%. Esta melhoria acontece após dois trimestres consecutivos de recuo do Produto Interno Bruto que colocavam Portugal em recessão económica."


...Diário Económico (1ª página):

"Economia regressa a terreno positivo no primeiro trimestre
A economia portuguesa regressou a terreno positivo nos primeiros três meses de 2004, depois de seis trimestres consecutivos de variação negativa do Produto Interno Bruto (PIB).

O Diário Económico sabe que as contas nacionais trimestrais – que serão hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) – revelam que a produção foi marginalmente positiva entre Janeiro e Março deste ano, em termos de variação homóloga. De resto, a autoridade estatística reviu em alta os números dos terceiro e quarto trimestres de 2003, de -1% e -0,5% para 0,9% e 0,4% negativos, respectivamente. Desta forma, o andamento da economia melhorou ligeiramente em 2003, acabando por ‘fechar’ o ano com uma queda do produto de 1,2%."


Comentários para quê?

Antes do INE divulgar já o Diário Económico fez o favor de o fazer!!!!

Provavelmente são os ensinamentos da Roland Berger ou a reestruturação começou pelos números???....

Inimigo Público

Em resultado de um estudo levado a cabo por especialistas canadianos, o Eurostat adoptou, como um dos 4 pilares da sua política de melhoria da produção de estatísticas europeias, a concentração geográfica.
Em discurso recente, o Director Geral afirmou: “As alterações que se vão produzir na organização impõem-se pela necessidade de preparar o Eurostat para responder de forma eficiente aos desafios que são cada vez maiores e são condição de sobrevivência da instituição. O reforço da concentração geográfica impõe-se como forma de aumentar a coordenação e a eficiência na utilização dos recursos que a sociedade põe à nossa disposição para a produção de estatísticas. Todos reconhecem no seu dia a dia casos de grande descoordenação no Eurostat.”
Em consequência, o Director Geral está a chamar, um a um, os melhores estaticistas dos países membros da UE, propondo-lhes um emprego no Luxemburgo.
Entretanto já fez sair uma comunicado afirmando que nenhum Instituto nacional irá fechar, já que continuará a ser preciso fazer alguns inquéritos presenciais, recolher preços e atender os utilizadores.

segunda-feira, junho 07, 2004

Auditoria Internacional: INPUT PRECISA-SE!

Hoje, dia 7 de Junho, O Jornal Público (suplemento Economia) publica uma extensa entrevista aos consultores canadianos contratados pelo INE.
Deixo de lado os risos, por não lhe reconhecer propósito, e os erros de sintaxe, por inadmissíveis num jornal desta categoria, apenas comento 3 das respostas daqueles eminentes estaticistas que interpreto como provocatórias para a Direcção do INE e para o próprio Governo.

1. “Dêem-nos as prioridades e daremos as respostas”
Será possível que estes dois ilustres estaticistas (Fellegi e Ryten) tenham começado a desenvolver o seu trabalho de consultoria ao Sistema Estatístico Nacional (já entrevistaram o Governador do Banco de Portugal, Ministros das Finanças, conselheiros do Conselho Superior de Estatística, etc), sem terem quaisquer inputs do Governo?, sem lhes terem sido traçados objectivos ou estabelecido prioridades?

2. “Terei de ser convencido que as Delegações Regionais são necessárias”
Esta afirmação reveladora é de Fellegi!
Como medida de urgência, sugeria ao Presidente do INE que fornecesse a estes senhores o trabalho encomendado pelo INE ao Professor Doutor João Ferrão (2002), onde tão bem descreve o Portugal sonolento, o Portugal tranquilo e o Portugal alta pressão.
A prazo, tenho esperança que a recém empossada Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional lhes faça chegar a documentação necessária.

3. “Actualmente, não posso dizer se (na Hungria) já o fizeram (redução do número de serviços regionais, de 19 para 6)”
É normal que, depois de terem proposto a reforma do Sistema Estatístico da Hungria, os Senhores Fellegi e Ryten não saibam se as suas orientações estão a ser seguidas ou se as puseram na gaveta? A Direcção do INE já exigiu saber qual o resultado desse estudo?


De acordo com a opinião de estaticistas nacionais, Fellegi e Ryten são dois estaticistas de renome mundial, com um trabalho notável no Instituto de Estatística Canadiano. Seria indesculpável que, por deficiente enquadramento, não pudéssemos aproveitar dos seus ensinamentos.