sábado, maio 22, 2004

O editorial do Público de hoje é bastante relevante...

De facto Manuel Carvalho faz uma análise com o título Os dilemas do centralismo no Público, de hoje.

Tomamos a liberdade de reproduzir algumas partes (recomendamos a leitura completa):

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A provável extinção dos centros regionais do Instituto Nacional de Estatística, que hoje noticiamos, mostra, porém, que este esforço de descentralização está longe de obedecer a uma estratégia lógica e coerente do Governo. Se Carlos Tavares pode ser visto como um genuíno descentralizador, o ministro Morais Sarmento, que tutela o INE, parece ser o lídimo representante dessa velha tendência do Estado para concentrar a mais ínfima competência decisória nas proximidades do poder político.

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O caso do INE é ainda mais grave. Se se consumar a extinção das suas delegações, as principais regiões do país deixarão de ter um importante centro de análise e de reflexão sobre os seus problemas específicos. Não haja dúvidas: o enorme manancial de informação que, por exemplo, o INE do Porto produziu sobre as dinâmicas urbanas da cidade ou sobre o relacionamento entre o Norte e a Galiza só se tornou possível porque o instituto está perto dos problemas e dos interesses dos cidadãos que cá habitam.
Espera-se, portanto, que o Governo reflicta sobre os impactes negativos desta situação e se mantenha empenhado em desmontar um modelo de centralização sem paralelo nos países desenvolvidos. Espera-se também que o principal representante político dos portuenses, o seu presidente da câmara, abdique por uma vez de se assumir como a antena receptora dos caprichos do poder central e se declare contra a concentração do INE em Lisboa. Uma coisa é recusar chavões sem sentido contra a capital, outra, é ter receio de denunciar eventuais atentados aos interesses da cidade que representa. Como é o caso."


Dá que pensar!!!!!!