segunda-feira, maio 24, 2004

Conto convosco ??...

Aquilo que (mais) surpreende no discurso liberal do Presidente do INE no passado dia 21 de Maio de 2004, é a sua inesperada pose de inocência em frases
como “quando houver algo de concreto para anunciar que tenha que ver convosco e com as vossas vidas, eu estarei aqui – tal como estou hoje – para vos dizer.”
Ou na “… consolidação de um sistema de reconhecimento do mérito e do bom desempenho, traduzido em recompensas remuneratórias atribuídas em função desse desempenho”
ou no “aumentar o nível de remuneração daqueles que mais se contribuem pelo sucesso colectivo parece-me crucial para que possamos alcançar esse sucesso.”
Ou “Como muitos de vós sabem, o meu pai trabalhou aqui, vim cá as primeiras vezes ainda antes de saber ler, e colaborar na tarefa de pôr o INE num lugar de destaque internacional vai para além do óbvio desafio profissional. Conto convosco.”…

Ora, por que sentimos que estamos a pagar por algo que é exemplificado com episódios menos positivos mas em nada justificativos das opções que se querem (aparentemente) tomar de concentração geográfica?

E por que será que não nos identificamos com a ideia de justiça nas palavras do reconhecimento por mérito quando, passados 2 anos, a única evolução foi a da imposição de quotas na avaliação do desempenho, e quando, perante os cerca de 150 recursos do processo de avaliação são dadas respostas tão magnânimas como… “razões de harmonização” ?

Parece-me oportuno relembrar as palavras da então deputada Manuela Ferreira Leite que a 30 de Abril de 1998 interpelava o Governo a propósito “da degradação da vida política e falta de autoridade por parte do Governo” e dizia,
“Em democracia, a transparência é um elemento essencial e, por isso, não é possível encobrir por muito tempo o que, por definição, tem de andar à luz do dia. Este governo peca por um enorme defeito: acha-se dono de tudo, trata os dinheiros públicos como se fosse sua propriedade e, nesse sentido, aplica-os de acordo com a defesa dos seus interesses próprios e não do interesse público. “

Sair do casulo do inconsciente é permitir que se veja à luz do amanhã e que ganhe espaço sobre a escuridão que deverá, sem sombra de dúvidas, ser deixada para trás.

Porque todos nós gostaríamos de saber para o quê exactamente, é que “conta
connosco”

... mais não digo….por agora!!

Ao Centro

4 Comentários:

At 24 de maio de 2004 às 21:46, Anonymous Anónimo Comentou...

Sr. Presidente do INE, porque não vai conhecer o trabalho das direcções regionais em vez de confiar em meros relatórios de empresas de consultoria? Porque não lhe interessa o que os agentes económicos locais pensam do trabalho desenvolvido nas direcções regionais do INE? Porque insiste em "levar" para Lisboa os projectos que com sucesso foram desenvolvidos nas direcções regionais? Será que a eficiência das direcções regionais servirá para "encobrir" os graves problemas que outros departamentos não conseguem ultrapassar?

"Contamos consigo"!

 
At 25 de maio de 2004 às 20:18, Anonymous Anónimo Comentou...

Sr. Presidente,
Gostavamos que se preocupasse com os verdadeiros problenmas e os resolvesse em vez de por em causa tudo. Não acredite que tudo está mal nas DR. A verdade é que o INE Lx tambem está cheio de pessoal sem dinâmica e que sempre boicotou a regionalizacao porque têm medo de mudancas, nao gosta de coisas automáticas, podem tirar-nos o pt. Existe um serviço de qualidade que nada faz ponha-o a trabalhar, mande fazer auditorias aos diversos serviços e verifique que os metodos quando existem, em alguns casos, já existiam há 20 anos atras tal e qual existem hoje. Olhe para os chefes e mostre-lhes que mandar não é comandar. Olhe para os directores e obrigue-os a cumprir com as suas obrigacoes, naõ admita impunidades (fizeram cursos de formçaõ, para apreender a chefiar, deveria ser liderar, parece que de nada serviram - puro desperdicio de recursos). Se há chefes a mais demita-os. Acabe com os lugares feitos á medida das pessoas. E os reformados da funcao publica que por ca continuam "ganhando", além das reformas, chorudas prestacoes de serviço, são insubstituíveis, mas há insubstituíveis? E quando um dia morrerem acaba-se o INE?
Como ve pode fazer, ja podia ter feito, muita coisa, isto é, como ja ca esta quase ha um ano ja começa a ser responsavel pela situacao ao permitir a continuidade.

 
At 25 de maio de 2004 às 22:54, Anonymous Anónimo Comentou...

"...Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”
Pablo Neruda

 
At 26 de maio de 2004 às 11:52, Blogger Reconquista Comentou...

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