quarta-feira, maio 26, 2004

Contas Regionais 1995-2001

Recordo um recente artigo de opinião (Jorge Fiel, Expresso 6/03/2004), quando o INE publicou as Contas Regionais 1995-2001:

A realidade que nos é mostrada pelas contas do INE dá-nos o retrato de um país que parece um bilhar que descai para um buraco - Lisboa “Há quase nove séculos, quando o fundador Afonso Henriques e os seus sucessores vieram do Norte por aí abaixo dilatando as fronteiras do jovem país Portugal sabiam perfeitamente que para tornar efectivo o domínio das terras, conquistadas aos sarracenos pela força das armas, era indispensável promover o seu povoamento e assegurar a viabilidade económica dos novos núcleos populacionais. A perenidade da «Reconquista» assenta nesta visão larga. Para seduzir os colonos do Norte, os nossos primeiros governantes elaboraram inteligentes pacotes de incentivos. ... Os nossos primeiros governantes eram homens sábios. Davam valor à coesão nacional. ... Um estudo das Nações Unidas revelou que a manter-se o actual modelo de desenvolvimento regional tipo terceiro mundista, em 2015 metade da população do país vai habitar na região de Lisboa e Vale do Tejo. ....

As contas regionais do INE, referentes ao período 1995-2001 e divulgadas esta semana, dão-nos o retrato de um país onde as assimetrias não cessam de se agravar. ... Lisboa, que já era a região mais rica, foi a que mais enriqueceu (32%) - agravando o fosso que a separava do Norte, onde a riqueza apenas cresceu 27,1%, do Centro (20,8%) e do Alentejo (16,6%). Mas se medirmos a evolução da produtividade o caso muda de figura. Onde ela evoluiu de forma mais favorável foi no Norte (27,1%), Alentejo (16,7%) e Centro (15%) - Lisboa (13,6%). ...”