domingo, maio 30, 2004

Aveiro – localização óptima do INE-SA

Dos discursos de Morais Sarmento e José Mata ressalta a convicção de que as conclusões já estavam traçadas antes da encomenda dos estudos, caso contrário por que razão é tão óbvia a concentração em Lisboa!

Imaginemos, por momentos, que o Instituto Nacional de Estatística era uma sociedade anónima, INE-SA, com o ministro Morais Sarmento a chairman e o José Mata a CEO, cujos contratos exigiam alcançar determinadas taxas de rentabilidade e cujos salários estavam indexados aos dividendos distribuídos anualmente pelos accionistas.
Neste contexto, não me admirava que qualquer estudo, de qualquer Roland Berger, concluísse pelas vantagens da concentração geográfica da produção estatística. Mas também estou certa que ambos encomendariam de imediato um estudo para determinar a sua localização óptima.
Enquanto não fosse feito esse estudo, qualquer reflexão, baseada no simples bom senso, permitiria as seguintes conclusões:
A concentração do INE-SA em Lisboa ficaria de imediato fora de questão:
1. está distribuído por quatro edifícios (o que em termos numéricos equivale à restante desconcentração pelas regiões!);
2. o edifício principal, património nacional, dificulta o funcionamento dos que lá trabalham e impossibilita a expansão para acolher os que viriam de fora (mais 3 edifícios de Lisboa, 1 no Porto, 2 em Coimbra, 1 em Évora e 1 em Faro).
Pelas mesmas razões a concentração nas outras cidades também ficaria fora de questão.

Uma hipótese de localização seria Aveiro, pelos seguintes motivos:
1. Aveiro é uma cidade lindíssima;
2. As acessibilidades à cidade de Aveiro são excelentes;
3. Aveiro tem uma universidade com centros de investigação que conformariam um contexto excelente de trabalho e de recrutamento de novos recursos para o INE-SA;
4. A maioria dos colaboradores do Porto e de Coimbra não encontraria grande dificuldade na deslocação diária para Aveiro;
5. É relativamente fácil e mais barato comprar casa em Aveiro, para os que viessem de Lisboa, Évora ou Faro;
6. A venda dos activos imobiliários espalhados por Lisboa, Porto, Coimbra e Évora dariam para pagar as indemnizações aos que não quisessem ou não pudessem ou não interessasse deslocar para Aveiro;
7. Admitindo-se que grande parte dos que trabalham em Lisboa optaria pela rescisão/indemnização, a média etária dos trabalhadores do INE-SA diminuiria drasticamente.

Conclusão
Estou certa que quaisquer mudanças necessárias à melhoria do INE, por grandes sacrifícios que exijam aos seus trabalhadores ,serão abraçadas por eles. Mas não os tratem como tontos.
As propostas de mudança têm de ser transparentes, fundamentadas no estudo de um grande número de alternativas, com resultados óbvios e quantificáveis.

2 Comentários:

At 7 de junho de 2004 às 09:49, Anonymous Anónimo Comentou...

já alguém se lembrou no impacto que teria nos serviços centrais a deslocação para lá dos mais de 200 trabalhadores? os serviços centrais passariam a ter pessoal a mais. Logo, não só estariam em perigo os trabalhadores vindos das regiões mas também os seus colegas dos serviços centrais!!!
Já agora que rendimento darão os trabalhadores que forem obrigados a ir trabalhar para lisboa? sabendo que verão os seus rendimentos penalizados, no minimo em 250 euros(quarto e viagens a casa,etc.) e não poderão levar as familias, porque com a falta de emprego que existe, as suas familias não poderão abandonar o que têm na sua região.
E o país real ganha alguma coisa com esta concentração geográfica? rigorosamente nada, apenas vai perder:
A proximidade ao INE.
Estatisticas regionais
Projectos de caracter regional e transfonteiriços.

Em lisboa não existe esta sensibilidade, é importante que eles percebam (Governo, auditores/consultores e Direcção do INE) o seguinte:
Quem está na região é que conhece essa sensibilidade e que ela faz falta. Sem essa proximidade do INE às populações o que resta é um INE virado ao eurostat mas sem qualquer interesse a quem necessita de estatisticas no país real, assim o que eles querem é um mau serviço publico e ao arrepio da descentralização da administração publica prometida por este governo.

 
At 20 de junho de 2004 às 05:49, Anonymous Anónimo Comentou...

Apesar de poder parecer parcial por ser desta cidade, acho que a ideia de Aveiro para a localização do INE é boa.
Mas não fiquemos pelo INE: muitos serviços estatais devem ser descentralizados/deslocalizados para cidades de dimensão média. Actualmente a grande maioria destes serviços está concentrada em Lisboa, tornando-se num subsídio que todos fazem para apenas esta cidade poder usufruir.

Por mim, são benvindos :-)))

Dito Cujo

http://ditocujo.weblog.com.pt/

 

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