domingo, maio 30, 2004

Aveiro – localização óptima do INE-SA

Dos discursos de Morais Sarmento e José Mata ressalta a convicção de que as conclusões já estavam traçadas antes da encomenda dos estudos, caso contrário por que razão é tão óbvia a concentração em Lisboa!

Imaginemos, por momentos, que o Instituto Nacional de Estatística era uma sociedade anónima, INE-SA, com o ministro Morais Sarmento a chairman e o José Mata a CEO, cujos contratos exigiam alcançar determinadas taxas de rentabilidade e cujos salários estavam indexados aos dividendos distribuídos anualmente pelos accionistas.
Neste contexto, não me admirava que qualquer estudo, de qualquer Roland Berger, concluísse pelas vantagens da concentração geográfica da produção estatística. Mas também estou certa que ambos encomendariam de imediato um estudo para determinar a sua localização óptima.
Enquanto não fosse feito esse estudo, qualquer reflexão, baseada no simples bom senso, permitiria as seguintes conclusões:
A concentração do INE-SA em Lisboa ficaria de imediato fora de questão:
1. está distribuído por quatro edifícios (o que em termos numéricos equivale à restante desconcentração pelas regiões!);
2. o edifício principal, património nacional, dificulta o funcionamento dos que lá trabalham e impossibilita a expansão para acolher os que viriam de fora (mais 3 edifícios de Lisboa, 1 no Porto, 2 em Coimbra, 1 em Évora e 1 em Faro).
Pelas mesmas razões a concentração nas outras cidades também ficaria fora de questão.

Uma hipótese de localização seria Aveiro, pelos seguintes motivos:
1. Aveiro é uma cidade lindíssima;
2. As acessibilidades à cidade de Aveiro são excelentes;
3. Aveiro tem uma universidade com centros de investigação que conformariam um contexto excelente de trabalho e de recrutamento de novos recursos para o INE-SA;
4. A maioria dos colaboradores do Porto e de Coimbra não encontraria grande dificuldade na deslocação diária para Aveiro;
5. É relativamente fácil e mais barato comprar casa em Aveiro, para os que viessem de Lisboa, Évora ou Faro;
6. A venda dos activos imobiliários espalhados por Lisboa, Porto, Coimbra e Évora dariam para pagar as indemnizações aos que não quisessem ou não pudessem ou não interessasse deslocar para Aveiro;
7. Admitindo-se que grande parte dos que trabalham em Lisboa optaria pela rescisão/indemnização, a média etária dos trabalhadores do INE-SA diminuiria drasticamente.

Conclusão
Estou certa que quaisquer mudanças necessárias à melhoria do INE, por grandes sacrifícios que exijam aos seus trabalhadores ,serão abraçadas por eles. Mas não os tratem como tontos.
As propostas de mudança têm de ser transparentes, fundamentadas no estudo de um grande número de alternativas, com resultados óbvios e quantificáveis.

sábado, maio 29, 2004

Independência e Credibilidade

No editorial de 19/05/2004 do DE, Miguel Coutinho insurge-se pelo facto do ministro Morais Sarmento ter nomeado para conselheiro do Conselho Superior de Estatística (CSE) um elemento do seu gabinete, o que, na sua opinião, poderia afectar a independência e credibilidade das estatísticas produzidas pelo INE. Em minha opinião estamos perante dois equívocos:
1º equívoco
O CSE, criado pela Lei nº6/89, de 15 de Abril, é o órgão do Estado que superiormente orienta e coordena o Sistema Estatístico Nacional (SEN). É presidido pelo Ministro que tutela o Instituto Nacional de Estatística (INE), presentemente o Ministro da Presidência e tem como Vice-Presidente o Presidente do INE. O CSE inclui na sua composição as seguintes entidades: Serviços Públicos (Instituto Nacional de Estatística, Instituto Superior de Estatística e Gestão da Informação, Presidência do Conselho de Ministros, e os 13 ministérios), Governos Regionais, Associação de Municípios, Banco Central, Confederações Sindicais, Confederações Patronais, Defesa do Consumidor e Universidades.

Assim, não é de estranhar que a Presidência do Conselho de Ministros se faça representar por um elemento do seu gabinete. Seria estranho que se fizesse representar por alguém da oposição, da mesma forma que estranharíamos ver o Engº Ludgero Marques a representar a CGTP ou o Dr. Carvalho da Silva a representar a CIP.

O exercício das superiores funções do CSE pressupõe que seja constituído por conselheiros que aportem ao conselho uma visão ampla e plural da sociedade, a partir da qual definam as linhas gerais da actividade estatística nacional .

Contudo, estranho e preocupa-me que, por despacho de 30 de Abril de 2004, o Ministro da Presidência, tenha substituído os representantes de 8 dos 13 ministérios!

Mais estranho ainda é apercebermo-nos que conhece muito bem esses novos conselheiros quando, no início do seu discurso de 18 de Maio de 2004 no CSE, afirma: "...Começo por dirigir uma palavra especial de boas vindas aos senhores conselheiros, particularmente aos novos membros do Conselho. É com muito gosto que vejo entre os novos conselheiros algumas pessoas, que se destacam mais por ser utilizadores exigentes do sistema nacional estatístico, do que pelo facto de serem peritos na produção de estatísticas. ..."

Assim, são legítimos os receios que esta nova constituição do CSE se destine a garantir a aprovação da extinção das Direcções Regionais do INE.

2º equívoco
A independência e a fiabilidade das estatísticas produzidas pelo INE é garantida pela Autoridade Estatística que lhe é conferida pela Lei nº6/89, de 15 de Abril, e assenta na definição prévia e rigorosa da metodologia estatística associada a cada operação estatística. Ou seja, a qualidade das estatísticas é garantida pelo método e não pela "independência" dos conselheiros do CSE. Toda a produção/alteração metodológica segue um percurso perfeitamente definido no "manual de procedimentos" interno do INE.

Quando o Eurostat propôs dois valores para o deficit das contas públicas de 2001, isso só teve uma razão: a metodologia de cálculo não estava previamente estabelecida com o rigor necessário. Agora só devemos exigir que a metodologia adoptada para 2001 seja aplicada par aos anos subsequentes. Ou que, a haver uma alteração metodológica para 2002, ela seja aplicada aos anos anteriores. Em termos estatísticos, só assim teremos teremos uma série temporal, isto é, valores comparáveis ao longo do tempo.

Toda a produção estatística do INE assenta em metodologias perfeitamente definidas e públicas. Ou seja, não há lugar a "batotas", como muitas vezes os media e as "oposições" querem fazer crer, não se coibindo de pôr em causa a dignidade pessoal e profissional dos técnicos do INE.

quarta-feira, maio 26, 2004

Coerência?

O dossier Direcções Regionais do INE evidencia claramente a ausência em sede de governação de uma posição coerente sobre o tema da centralização/descentralização. Enquanto no quadro de uma das vertentes da acção governativa se faz passar o discurso da nova organização territorial e da descentralização associada, na questão INE o governo alinha por uma linha de recentralização, erradamente entendida como sinónimo de eficiência da gestão pública. Vale a pena enunciar de novo a miragem de que centralização significa sempre incremento dos níveis de eficiência, para além de que a acção do INE deve também ser eficaz. Ora, os utilizadores de informação INE lembram-se ainda da forte ineficiência e do marasmo que grassava pelas bandas da instituição central quando o modelo se assumia como centralizado. Para além disso, haverá exemplo de modelo mais ineficiente e ineficaz do que o sistema nacional de ciência e tecnologia, ele próprio altamente centralizado. Mas, atenção, as Direcções Regionais não devem existir apenas porque se chamam regionais. É necessário ter claro que projecto de intervenção e que estratégia pretendem prosseguir.

Contas Regionais 1995-2001

Recordo um recente artigo de opinião (Jorge Fiel, Expresso 6/03/2004), quando o INE publicou as Contas Regionais 1995-2001:

A realidade que nos é mostrada pelas contas do INE dá-nos o retrato de um país que parece um bilhar que descai para um buraco - Lisboa “Há quase nove séculos, quando o fundador Afonso Henriques e os seus sucessores vieram do Norte por aí abaixo dilatando as fronteiras do jovem país Portugal sabiam perfeitamente que para tornar efectivo o domínio das terras, conquistadas aos sarracenos pela força das armas, era indispensável promover o seu povoamento e assegurar a viabilidade económica dos novos núcleos populacionais. A perenidade da «Reconquista» assenta nesta visão larga. Para seduzir os colonos do Norte, os nossos primeiros governantes elaboraram inteligentes pacotes de incentivos. ... Os nossos primeiros governantes eram homens sábios. Davam valor à coesão nacional. ... Um estudo das Nações Unidas revelou que a manter-se o actual modelo de desenvolvimento regional tipo terceiro mundista, em 2015 metade da população do país vai habitar na região de Lisboa e Vale do Tejo. ....

As contas regionais do INE, referentes ao período 1995-2001 e divulgadas esta semana, dão-nos o retrato de um país onde as assimetrias não cessam de se agravar. ... Lisboa, que já era a região mais rica, foi a que mais enriqueceu (32%) - agravando o fosso que a separava do Norte, onde a riqueza apenas cresceu 27,1%, do Centro (20,8%) e do Alentejo (16,6%). Mas se medirmos a evolução da produtividade o caso muda de figura. Onde ela evoluiu de forma mais favorável foi no Norte (27,1%), Alentejo (16,7%) e Centro (15%) - Lisboa (13,6%). ...”

terça-feira, maio 25, 2004

A Peer Review of the Hungarian Statistical System

Tradução (adaptada) de extracto do relatório internacional:

Ambos os auditores acreditam firmemente na necessidade duma rede regional associada aos serviços centrais de estatística, quer como um meio para seguir as particularidades da procura local de informação, quer como um instrumento para garantir a cooperação (sem compulsão) do respondentes reticentes.
(....)
As medidas propostas no texto abaixo, referem-se a um dos aspectos mais difíceis da gestão de um instituto estatístico, ou seja, o relacionamento entre o centro (serviços centrais) e a periferia (rede regional). Se não existirem fortes mecanismos de ligação entre os dois, a coordenação interna é substancialmente enfraquecida, ao ponto de colocar a eficácia do instituto em perigo. Este relacionamento implica a existência de uma ligação efectiva entre as direcções regionais e a gestão de topo. A entidade organizacional que assume esta funções de relacionamento deve, por um lado, transmitir as preocupações e competências da rede regional para a gestão de topo e, por outro lado, informar as direcções regionais do contexto dos actos de gestão, prioridades e decisões.


... do original:

3. Regional offices
Both Reviewers are steadfast believers in the need for a regional network associated with a statistical agency, both as a means of following the nuances of local demand for information and as a tool for eliciting the cooperation (not the compulsion) of reticent respondents.
(….)
The measures that are proposed in the text below deal with one of the more difficult aspects of the management of a statistical agency, to wit the relations between the centre (headquarters) and the periphery (the regional network). If there are no strong mechanisms to bond the two, effective internal coordination is substantially weakened, to the point of placing the effectiveness of the agency in peril. The bonds turn on the existence of an effective linkage between regional offices and senior management. The organizational entity that assumes the linking functions must, on the one hand, transmit the concerns and aptitudes of the regional network to senior management and on the other, inform the regional offices of the background to managements. priorities and decisions.


A Peer Review of the Hungarian
Statistical System
by
Ivan P. Fellegi and Jacob Ryten
respectively
Chief Statistician of Canada
and
Former Assistant Chief Statistician of Canada
Budapest and Ottawa
Summer of 2001

segunda-feira, maio 24, 2004

Conto convosco ??...

Aquilo que (mais) surpreende no discurso liberal do Presidente do INE no passado dia 21 de Maio de 2004, é a sua inesperada pose de inocência em frases
como “quando houver algo de concreto para anunciar que tenha que ver convosco e com as vossas vidas, eu estarei aqui – tal como estou hoje – para vos dizer.”
Ou na “… consolidação de um sistema de reconhecimento do mérito e do bom desempenho, traduzido em recompensas remuneratórias atribuídas em função desse desempenho”
ou no “aumentar o nível de remuneração daqueles que mais se contribuem pelo sucesso colectivo parece-me crucial para que possamos alcançar esse sucesso.”
Ou “Como muitos de vós sabem, o meu pai trabalhou aqui, vim cá as primeiras vezes ainda antes de saber ler, e colaborar na tarefa de pôr o INE num lugar de destaque internacional vai para além do óbvio desafio profissional. Conto convosco.”…

Ora, por que sentimos que estamos a pagar por algo que é exemplificado com episódios menos positivos mas em nada justificativos das opções que se querem (aparentemente) tomar de concentração geográfica?

E por que será que não nos identificamos com a ideia de justiça nas palavras do reconhecimento por mérito quando, passados 2 anos, a única evolução foi a da imposição de quotas na avaliação do desempenho, e quando, perante os cerca de 150 recursos do processo de avaliação são dadas respostas tão magnânimas como… “razões de harmonização” ?

Parece-me oportuno relembrar as palavras da então deputada Manuela Ferreira Leite que a 30 de Abril de 1998 interpelava o Governo a propósito “da degradação da vida política e falta de autoridade por parte do Governo” e dizia,
“Em democracia, a transparência é um elemento essencial e, por isso, não é possível encobrir por muito tempo o que, por definição, tem de andar à luz do dia. Este governo peca por um enorme defeito: acha-se dono de tudo, trata os dinheiros públicos como se fosse sua propriedade e, nesse sentido, aplica-os de acordo com a defesa dos seus interesses próprios e não do interesse público. “

Sair do casulo do inconsciente é permitir que se veja à luz do amanhã e que ganhe espaço sobre a escuridão que deverá, sem sombra de dúvidas, ser deixada para trás.

Porque todos nós gostaríamos de saber para o quê exactamente, é que “conta
connosco”

... mais não digo….por agora!!

Ao Centro

domingo, maio 23, 2004

O INE sem Norte

Hoje, no jornal Público, em LOCAL-NORTE, a análise de Luis Costa é bem elucidativa:

"FACTOS À MEDIDA
Domingo, 23 de Maio de 2004
Luís Costa
O INE sem Norte
DESTAQUE: O INE-Norte deixou de ser o arquivo morto da nação para se transformar no acervo vivo do país. Mas agora querem matá-lo.

Na minha actividade jornalística, há vários anos que frequento os corredores e os gabinetes da Direcção Regional do Norte do Instituto Nacional de Estatística (INE), em busca de informações que me permitam - permitindo-o também a quem vai lendo aquilo que escrevo - compreender melhor a realidade do Porto, do Norte de Portugal e do país que somos para além do conhecimento empírico do quotidiano.
Desde os tempos da acanhada delegação da Praça de Francisco Sá Carneiro às actuais e modernas instalações do edifício Scala, na Rua do Vilar, o INE-Norte nunca se limitou a ser uma fonte permanente e quase inesgotável de dados, números, estatísticas diversas ou estudos superiormente elaborados. Foi, pelo menos até meados de 2003 - quando começou o actual processo político de centralização obsessiva desencadeado pelo ministro Morais Sarmento -, o núcleo mais dinâmico de toda a estrutura nacional do INE, um centro de excelência na formação de técnicos qualificados, o nicho de vanguarda no lançamento de novos produtos estatísticos e no acesso dos cidadãos à informação produzida e, muito provavelmente, a mais dinâmica, jovem, bem apetrechada e competente direcção regional do instituto.
Sob a direcção do professor Paulo Gomes, cujo mérito do trabalho desenvolvido no Porto o levaria até à presidência do conselho de administração em Lisboa, o INE-Norte abriu-se verdadeiramente à sociedade civil, aos organismos públicos, às escolas, às instituições universitárias, ao mundo empresarial, às autarquias. Paulatinamente, e muitas vezes contra a corrente dominante, foi deixando de ser uma espécie de arquivo morto da nação para se transformar no acervo vivo do país (ou, pelo menos, de parte do país, para já não falar da Galiza) e num parceiro activo, de qualidade, e reconhecidamente de confiança. Que o digam os técnicos e os responsáveis de muitas câmaras municipais ou da agora rebaptizada - e novamente órfã de liderança, após o breve consulado de Arlindo Cunha - Comissão de Coordenação da Região Norte.
A título de exemplo, entre muitos que poderiam ser citados, refiro apenas o impulso decisivo e o papel determinante do INE-Norte no lançamento e consolidação do Infoline, uma plataforma pioneira no acesso a dados estatísticos via Internet, verdadeiro paradigma de um Estado moderno e democrático. Ou o inovador e interessantíssimo projecto ALEA (iniciais que correspondem a Acção Local Estatística Aplicada), constituído no âmbito da educação, da sociedade da informação, da formação para a cidadania e da literacia estatística como um contributo para a elaboração e disponibilização de instrumentos de apoio destinados aos alunos e professores dos ensinos básico e secundário.
Para que possam avaliar o real alcance deste projecto "on line", ele foi criado no pressuposto de que melhorar a literacia estatística é uma condição importante para garantir uma melhor prestação de um serviço de utilidade pública e, por outro lado, fomentar ambientes e experiências de aprendizagem diversificados recorrendo às novas tecnologias de informação. Mas, o que é ainda mais significativo na lógica de parcerias estimulada pelo INE-Norte, nasceu de um projecto conjunto com a Escola Secundária de Tomaz Pelayo, de Santo Tirso, adquirindo rapidamente dimensão regional e nacional.
Quando, no Verão passado, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros substituiu intempestivamente a equipa liderada por Paulo Gomes um ano antes desta terminar o seu mandato, percebi logo que havia nuvens negras no horizonte. Morais Sarmento já nessa altura não ocultava o seu desejo centralizador, ao defender como princípios da política do Governo para o INE a "adequação da estrutura organizativa e humana" e a "definição do dispositivo territorial". Para bom entendedor, julgo eu, estas meias palavras bastam.
Não estranho, por isso, as mais recentes notícias que dão conta do processo de "concentração geográfica" da instituição. Também neste caso, julgo eu, para bom entendedor estas meias palavras bastam.
Como gosta de lembrar o presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, a sua política de colaboração permanente com Lisboa tem dados os seus frutos. Sem dúvida que tem."

Rui Rio comenta

"É com grande contentamento que vejo o Porto conseguir algo (a sede do IAPMEI) que há muito aspirava e que não tinha conseguido"
Rui Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto, "O Primeiro de Janeiro"

Aguarda-se o seu comentário à extinção(ou esvaziamento) da Direcção Regional do Norte e ao destino dos seus 98 funcionários qualificados.

sábado, maio 22, 2004

Morais Sarmento elogia o papel das Direcções Regionais

Sabiam que na Intervenção do Ministro da Presidência Morais Sarmento no Seminário sobre Estatísticas Regionais, Informação Estatística e Coesão Territorial que decorreu no Porto em 8 de Novembro de 2002, o papel das Direcções Regionais foi um dos aspectos mais marcantes para o desenvolvimento do sistema estatístico nacional e do planeamento regional?!!!

Algumas passagens:

"A reestruturação do INE, ocorrida em 1989, ao consagrar a desconcentração geográfica através da criação das Direcções Regionais, demonstrou por e com antecipação ser uma iniciativa de grande significado no desenvolvimento do Sistema Estatístico Nacional.

Foi uma solução organizacional que já mostrou a sua plena validade, sem prejuízo de se entender necessário introduzir ajustamentos que, sem pôr em causa esta natureza desconcentrada, assegurem uma gestão mais adequada dos meios disponíveis.

A aproximação aos utilizadores da informação permitiu a organização de produtos estatísticos muito relevantes através, nomeadamente:

- da produção de informação de raiz,

- da organização de informação de cariz territorial,

- ou da análise de informação oficial,

de que são exemplo os Anuários Regionais, os Inventários Municipais, o Atlas das Cidades, os Boletins Trimestrais de Estatística e as dezenas de estudos editados nas Revistas de Estudos Regionais."


Como se muda de opinião rapidamente, apesar do relatório do IGAP e encomendando um à medida da opinião do momento à Roland Berger!!! Talvez daqui a um ano encomendem a outra empresa um estudo a recomendar a acumulação do cargo de Ministro da Presidência com a de Presidente do INE ... sempre se poupava um ordenado!!!!

Um retrato estatístico - 30 anos de 25 de Abril

A recente publicação "oficial" do INE, "Um Retrato Estatístico - 30 anos de 25 de Abril" surge com a fotografia e prefácio do Primeiro-Ministro Durão Barroso.

Como é possível que a Direcção do INE e o Governo compactuassem com um figurino que até os INE's de países de regimes ditaturiais não permitiriam tal tipo de instrumentalização.

Não seria mais discreto a referida publicação ter sido editada pela Comissão de Honra para as Comemorações? Ao menos salvavam a face!

E será que só existem indicadores com variação favorável? ... claro, não interessava publicar!!!!!

E vincula-se a este figurino o INE????

Falta de vergonha ou sinais para os próximos tempos????



Relatório do IGAP

Sabiam que o relatório do IGAP contradiz o da Roland Berger, uma vez que aponta para o reforço da presença regional?
E já conhecem o relatório dos peritos estrangeiros? Será que também não irá pelo modelo descentralizador?

O da Rolande Berger é que está certo! Porque será?....

Consultem o site onde regularmente terão acesso a documentação credível, notícias na imprensa...há um ano o próprio ministro Morais Sarmento elogiava o papel e a dinâmica das Direcções Regionais...


...e brevemente - muito mais factos que são desconhecidos da opinião pública!

Estejam atentos!!!

O editorial do Público de hoje é bastante relevante...

De facto Manuel Carvalho faz uma análise com o título Os dilemas do centralismo no Público, de hoje.

Tomamos a liberdade de reproduzir algumas partes (recomendamos a leitura completa):

" ...

A provável extinção dos centros regionais do Instituto Nacional de Estatística, que hoje noticiamos, mostra, porém, que este esforço de descentralização está longe de obedecer a uma estratégia lógica e coerente do Governo. Se Carlos Tavares pode ser visto como um genuíno descentralizador, o ministro Morais Sarmento, que tutela o INE, parece ser o lídimo representante dessa velha tendência do Estado para concentrar a mais ínfima competência decisória nas proximidades do poder político.

...

O caso do INE é ainda mais grave. Se se consumar a extinção das suas delegações, as principais regiões do país deixarão de ter um importante centro de análise e de reflexão sobre os seus problemas específicos. Não haja dúvidas: o enorme manancial de informação que, por exemplo, o INE do Porto produziu sobre as dinâmicas urbanas da cidade ou sobre o relacionamento entre o Norte e a Galiza só se tornou possível porque o instituto está perto dos problemas e dos interesses dos cidadãos que cá habitam.
Espera-se, portanto, que o Governo reflicta sobre os impactes negativos desta situação e se mantenha empenhado em desmontar um modelo de centralização sem paralelo nos países desenvolvidos. Espera-se também que o principal representante político dos portuenses, o seu presidente da câmara, abdique por uma vez de se assumir como a antena receptora dos caprichos do poder central e se declare contra a concentração do INE em Lisboa. Uma coisa é recusar chavões sem sentido contra a capital, outra, é ter receio de denunciar eventuais atentados aos interesses da cidade que representa. Como é o caso."


Dá que pensar!!!!!!

sexta-feira, maio 21, 2004

Posição dos trabalhadores das Direcções Regionais do Norte, Centro, Alentejo e Algarve

Hoje, no 69º aniversário do INE, os trabalhadores das Direcções Regionais do INE do Norte, Centro, Alentejo e Algarve apresentaram a sua posição sobre a previsível extinção destas:


Os trabalhadores das Direcções Regionais do Instituto Nacional de Estatística, no Norte, Centro, Alentejo e Algarve, entendem expressar a sua oposição ao plano de reestruturação do Instituto divulgado pela Direcção no passado dia 18, avançando nomeadamente com as seguintes considerações:

1. A argumentação sustentada pela Direcção como fundamento para a extinção das Direcções Regionais (DR’s) baseia-se em críticas à prática de gestão das DR’s.
No entanto, a solução apresentada não revela qualquer esforço para encontrar outras práticas de gestão ou outros intérpretes capazes de melhorar a coordenação e a eficiência do funcionamento das Direcções Regionais no quadro do actual modelo organizacional do INE, minimizando os custos de ajustamento.
Ao contrário, a Direcção apresenta uma proposta de solução radical com maiores custos sociais para os trabalhadores.

2. A extinção das Direcções Regionais surge em clara contradição com o discurso político sobre a necessidade de descentralização territorial da Administração Pública e com as práticas de desconcentração seguidas noutros casos.

3. Do ponto de vista do desenvolvimento regional, a existência das DR’s do INE (bem como de outros organismos desconcentrados da Administração Pública) representa uma oferta de emprego capaz de fixar na região mão-de-obra particularmente qualificada. Neste contexto, a extinção das Direcções Regionais do INE representa a perda de um instrumento de política de desenvolvimento regional.

4. As duas primeiras linhas de força apontadas pela Direcção do INE para a reestruturação (reforço da concentração geográfica e rejuvenescimento e requalificação dos quadros do INE) são conflituantes. De facto, a própria Direcção do INE reconhece nos quadros das Direcções Regionais um perfil mais jovem e mais qualificado face à média do INE.

5. O investimento realizado pelo INE na disponibilização das Tecnologias de Informação e Comunicações permitem ultrapassar as barreiras da distância geográfica, retirando assim fundamento à alegada necessidade de concentração geográfica.


Face aos comentários acima formulados e tendo em conta o desgaste gerado pela situação de indefinição em que vivem actualmente, os trabalhadores das Direcções Regionais do INE no Norte, Centro, Alentejo e Algarve, esperam o rápido esclarecimento da situação por parte da tutela.


21 de Maio de 2004